Maldade

Não quero o mundo tal como eu desejo:
Se eu ouço um grito eu sonho um mundo negro
E vou tramando horrores em segredo,
A dor excita a minha alma impura.

Na intimidade sei: sou obsessiva:
Meu coração me diz: sê compassiva
Mas só na lágrima é que fico viva,
Desesperada por novas torturas

Na intimidade sei que sou maldita:
Me dá prazer ver toda carne aflita,
Correr o sangue pela pele nua.

Minha bondade é pura hipocrisia:
A dor preenche, o amor me faz vazia.
Dou ao diabo o deus que me fez crua.

Patrícia Clemente