Ausência

Se agora tiras, Senhor, a mão de mim,
espero, atenta.
Se ficas quieto a olhar, Senhor, pra mim,
é o teu olhar
que me sustenta.
Como a paixão que a cada dia o meu Senhor me dá
e tira
estou suspensa.
Pois, como o teu corpo no meu, tua vida na minha,
Senhor,
entra e sai,
sai e entra.
A gente nunca sabe onde quer estar,
erótica da tua ausência.

Patrícia Clemente