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Ser poeta
Talhava versos por qualquer motivo
Pois só compondo me sentia vivo
Tanto prazer eu tinha em versejar
Um dia descobri que não sabia
As normas que detém a poesia
E desde então não quis mais poetar
O que pensava que brilhante fosse
Como ciência tinha mil defeitos
Não mais compus. Ser professor me trouxe
Bem mais prazer na luta por direitos
Passou o tempo. Agora, aposentado
Volto a compor, mas bem mais moderado
Dou importância não somente à arte
As minhas obras têm também ciência
Equivalendo a muita paciência
Para poupar meu coração de enfarte
Tu que conheces minhas poesias
E dizes, quando em vez, que as aprecias
Dou-te um conselho muito interessante:
Ser queres ser poeta, lê bastante
Aprende a tua língua com desvelo
Em tudo que escreveres põe teu zelo
Pois todo mestre foi bom estudante
Todo poema tem uma mensagem
Mas nem toda mensagem é um poema
Se queres resolver esse dilema
Estuda bem figuras de linguagem
A poesia é arte, dom, ciência
Para aumentar a tua consciência
É necessário mais conhecimento
É masoquismo cultivar a dor
Mas o poeta quando vai compor
Sente prazer até no sofrimento
A rima pouco importa em livre canto
E pouco importa a métrica. Entretanto
Os versos necessitam de cadência
Quem não estuda pensa que é perfeito
Mas quem conhece encontra algum defeito
Na obra que se fez sem consciência
Se queres ser poeta, meu amigo
Não digas nunca mais: "Eu não consigo
Compor com rima, métrica e cadência"
Pratica sempre tudo que aprendeste
Verás depois que tudo que fizeste
Podia ser melhor como ciência.
Araranguá, 10/11/03
Nilson Matos Pereira
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