Princesinha Paranóica

Olho a janela. Fechada.
Por instante o certo me persegue
e não vejo o quanto o fogo
que é meu me liga a você.
Nossa essência é ritmada, meu amor.
O ritmo que criei
nada me traz de sentidos
que não seja sua pele, seu toque.
Ser você estando em mim.
Sou você a todo o momento.
Sou seu corpo
e só ser seu corpo faz eu me tocar.
Nada interessa quando sua boca é a minha
e é a sua boca que quero.
Sou eu mesma apenas para ter sua boca.
Sou a mulher que você quer.
Chame-me de Lucia, Maria ou Beatriz.
Chame-me de sua...
será suficiente por uma tarde.
Não me importo se me ama.
Não importo se outras te têm.
Não quero saber se ela é doce e bonita.
Quero ser a mais doce e bonita para você.
Não me dê esperança vã.
Não me dê nada.
Sou seu corpo.
Sua mente só interessa enquanto estiver nela.
Case comigo. Teremos filhos e uma casa branca.
Você me chamará de meu amor
e eu te descalçarei os sapatos - Por uma tarde.
Eu te peço. Eu te peco, usando o teu corpo no meu.
Você é pecado.
O perdão do prazer virá
com um manto de cetim vermelho diáfano
como o meu sonho de paixão contigo.
Cobrindo a minha nudez de alma
e me despindo aos teus olhos.
Persigo-te, querido, te tenho e estarei no teu corpo.
Você sentirá.

Mira Andrade