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Mácula
Retendo seus fluidos
Gozo na sua insatisfação
Procrio a aleive da espécie
Meu corpo maculado
Te deparo em mim
Insatisfeito.
Abomino sua lava
Que perfaz minha boca
Me atrelo a sua falaz liberdade
Sou ofídio em sua consciência
Rastejo sob seu corpo
Trago seu asco no meu corpo
Te levo a iniqüidade
Quando na existência já não há fé.
Feneceremos presos a um falso alvedrio.
Abomino a ternura lhe engendraram
Na nossa perversidade não cabe amor.
Um urro infrutuoso sai do meu útero
Caça a exultação que não sentes.
Me induz no seu gozo infindo
Revogo sua imortalidade
Depositando seu fruto em minha língua.
Mira Andrade
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