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Liquefação
Dentro de meu cerne se junta o tormento de quem não pode correr
A alma é criada
Pensamento
Os olhos sangram ardência insólita
Odores de lua não trazem bonança para o sangue de pecado
A boca que agora emudece foi demais
Nada volta
Palavras depararam outra dimensão
O erro é mais uma face do medo.
O erro é não acolher o estrangeiro
Meu medo meu.
Criar a alma.
Recriar o medo.
Não falo mais dos rios.
Eles manteriam-se calados.
Sabe que águas não voltam.
Choram doloridos.
Água.
A liquefação é mais que meu instinto pode agüentar.
Rugido de doce ódio.
Os poros se abrem e enche-se de pó.
O peso, o pesar, a purificação.
Água!
Nada mais imundo dentro de mim.
Gota de sangue.
Ultraje vermelho e obsceno.
Me rasgo com garras de ouro
E grito por um instante uma ordem de sol.
É bonita a Mudança. Hipnotiza.
Mira Andrade
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