Domadores

Há quem pasme dos fortes domadores.
Cujo esforço valente e decidido
faz que se curve, de pavor transido,
dorso de fera má, de olhos traidores.

E, contudo, dominam-se os furores
e impõe seu jugo o braço destemido
com qualquer ferro em brasa enrubescido
e artifícios banais e enganadores.

Outros há, todavia, mais valentes,
que a populaça rude não conhece:
são os que domam, vultos imponentes,

esta fera: - a Palavra, que carece
para acalmar seus ímpetos insanos
- seiva e sangue de cérebros humanos.

(Pecados, 1889.)

Medeiros e Albuquerque