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Charles Morgan tiveram suas primeiras traduções no Brasil pelas mãos de Mario Quintana
O vento
gélido que soprava na cidade gaúcha de Alegrete, no dia 30 de julho de
1906, deu boas vindas ao garoto que teimou em nascer antes do tempo. Foi
batizado como Mario de Miranda Quintana. Deixou de lado o Miranda e passou
a se chamar Mario Quintana. Quanto ao fato de ter nascido prematuramente,
declarou: "eu ficava meio complexado pois achava que não estava pronto.
Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill
nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton!".
Os
fantasmas não fumam porque Até
1917 ficou em Alegrete, onde trabalhou na farmácia da família e completou
seus estudos primários. Dois anos mais tarde, Mario Quintana foi para
o Colégio Militar de Porto Alegre em regime de internato. Ali começaram
suas primeiras produções literárias. Em 1925, entrou no setor de literatura
estrangeira da Livraria do Globo, na época uma das mais ativas
editoras do país. Em 1929, começou a escrever no diário gaúcho O Estado
do Rio Grande. No ano seguinte já estava publicando seus poemas na
Revista do Globo e no jornal Correio do Povo. de que está lendo a gente ... e não a gente a ele! A revolução
de 1930, liderada pelo político gaúcho Getúlio Vargas, entusiasmou o jovem
Quintana que foi para o Rio de Janeiro como voluntário do Sétimo Batalhão
de Caçadores de Porto Alegre. Seis meses depois, regressou para a capital
gaúcha. Começou a época das traduções de clássicos franceses e ingleses
para a Editora Globo. Autores como Proust, Balzac, Voltaire, Maupassant,
Virginia Woolf, Charles Morgan tiveram suas primeiras versões no Brasil
pelas mãos de Mario Quintana. O poeta deu uma imensa colaboração para
que obras como o denso "Em Busca do Tempo Perdido", do francês
Marcel Proust, fossem lidas pelos brasileiros que não dominavam a língua
francesa. desconfia... O crime perfeito não deixa vestígios Sua
primeira publicação foi "A Rua dos Cataventos",
em 1940. A obra teve uma grande repercussão e vários dos seus sonetos
passaram a figurar em antologias e compêndios escolares. Em 1946 saiu
"Canções", o segundo livro de poemas. Ao mesmo tempo em que publicava
as suas elucubrações de poeta no espaço diário chamado Caderno H,
no jornal Correio do Povo, lançou outras obras (ver abaixo) com
poemas, crônicas, poemas em prosa e literatura infantil. pendendo do teto - escuro candelabro: devem ser feitas de aranhas, desconfio, as árvores de Natal do diabo Sempre
morando na sua querida Porto Alegre e adorado por gente como Manuel
Bandeira - que lhe dedicou um poema numa sessão da Academia Brasileira
de Letras -, Carlos Drummond de Andrade,
Vinícius de Morais, Cecília
Meireles e João Cabral de Melo Neto,
nunca conseguiu vestir o fardão da Academia. Coisa que não tirava o seu
tradicional humor e sarcasmo. Depois de ter perdido a terceira indicação
para a entidade compôs o célebre Poeminha do
Contra: "Todos esses que aí estão/atravancando meu caminho,/eles
passarão.../eu passarinho!". O
café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo
A
morte é a libertação total: Olho
em redor do bar em que escrevo estas linhas.
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