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Retratos da vida
Vida bandida, vida perseguida pela dor.
Quisera ser como a lua, toda nua,
como a perfeita musa dos sonhadores,
ser a receita da pureza e do amor.
Rua escura, tempo perdido,
olhar vazio, sonho esquecido,
amor dilacerado, ninguém ao meu lado.
um sonho guardado, enterrado,
como um corpo em decomposição.
Viagem misturada com realidade,
saudade do que não aconteceu,
sonho perdido entre olhar vazio,
a vida que não viveu,
um canto sereno, um leito macio...
Muitas vezes, sequer enxergamos um sol
uma luz que nos oriente.
Quantas de nós experimentamos a sensação
de viver uma fantasia, mesmo que tardia,
um anjo enrolado num lençol,
que traga uma semente de amor e de emoção?
Tempo passando, lágrima enxugando,
sorriso engolido, olhar perdido.
E dia após dia, nossos olhares
tão perdidos , vão apagando
o viço da juventude,
um encanto infantil, muito antigo.
E de esperanças renovadas,
disfarçadas, dilaceradas,
seguimos nosso caminho,
outrora com ansiedade,
caindo na mesmice da dor,
na amargura recolhida,
mente aberta, face despida.
Retratos da vida...
diário de uma partida
de ilusão, de saga de uma luta vencida,
de um dia, quem sabe,
tenhamos até saudade
desse tempo em que somos felizes
eternas matrizes da marca da crueldade.
Mariete Marcondes
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