Poema a 4 mãos

(ele)
Sempre quando me sinto só
E o meu coração parece, querer chorar,
Uma lágrima corre dos olhos
Assim, como o rio, corre para o mar

Na imensidão desta lágrima
Desnudo o meu mundo de sonhos
E você bem devagarzinho,
Muito, aos poucos.
Parece querer entrar.

(ela)
Sim, em teu mundo de sonhos.
Minha alma quer entrar
Com a calma dos rios
Límpidos e tristonhos
Que correm para o mar
Mas, para o mar dos teus sonhos.
Para o mar de tua paixão

(ele)
Neste mundo da solidão
Onde o "eu" se sente Rei
Você finalmente chegou, meio quieta.
Assim como o rio chega ao mar.

Devorou os meus "eus" e
Estacando a solitária lágrima
Ensinou-me o "nós"
Na conjugação do verbo amar.

(ela)
Sim o amor, é união.
De corpos e mentes
E nesta conjugação amorosa
Só o "nós" tem lugar

(ele)
Hoje ainda corre, lágrima pelo olhar,
Hoje o amor tem seu lugar
Esqueceu-se a solidão
Na imensidão do mar.

Marici Bross e Pedro Ozório, em 08/09/02