Tédio

Percebi que o café tinha gosto de poeira,
que queria dormir infinitamente,
que queria fumar, coisa que nunca fiz!

Percebi que queria viajar,
deixar a rotina que me prendia,
que os cabelos estavam alvoroçados,

Percebi que tudo é igual todo dia:
muito trabalho, muito cansaço,
o fingir-se de bem com a vida
para poder aguentar o rojão.

Percebi que a religião me acalmava
que de tanto rezar, fiquei viciada!
Que só acalmava se rezava!

Então acordei e vi:
Estou no fundo do poço!
Dói-me o pescoço!
Sou um avestruz!
Engulo pedras!

Não posso ver buraco
que quero me esconder...
vontade de entrar numa garrafa e me enquadrar
moldar-me deve ser uma boa forma de envelhecer!

Meu Deus! Descobri o tédio!
Todo esse mistério... este pafúncio coração,
para buscar o remédio
para tanta confusão!

BSB - 20/03/2003

Margaret Pelicano