Genealogia

E o navio aportou no cais de Santos...... quando? Eu não sei...meu pai não me contou...

Uma pena, sinto falta da história minuciosa da família... porém como meu pai nasceu em 1924, esse navio deve ter chegado no início do século XX

Sei que meu avô, por parte de pai, era um italiano não muito alto, olhos azuis, barba azulada pelo barbear diário.Tinha sido soldado da Guarda Imperial Italiana e orgulhava-se disso. Trabalhador. Foi buscar uma região parecida com a Calabria. Montanhosa e fria. Chegou a Ouro Fino, nas Gerais. Com as economias, comprou fazendas. Ficou rico. Casou-se com uma filha de italianos e teve uma renca de filhos.

Tinha riso cristalino, gostava de fartura.

Era o primeiro o tomar banho, num bacião de zinco que mais parecia uma banheira, depois vinha a fileira de meninos, por idade...A água para o mais novinho, devia ficar bem sujinha...mas o banho era diário...

Meu pai, filho desse paisão, farto, correto e severo, dizia que apanhava e muito, porque era muito levado.

Aos nove anos já imitava os adultos: Fumava e bebia, já que a italianada da região assim se comportava, e, ele se mirava no exemplo dos homens mais velhos...

Minha avó, filha de imigrantes, apaixonou-se por esse italiano charmoso. Ele morreu cedo de desgosto. A filha mais velha fugiu com o namorado. Quando ele soube, foi buscá-la. Deu-lhe uma bela surra, acertou o casamento que antes não queria, almoçou, deitou para descansar enquanto a filha chorava.

Ela, presa em um quarto até o dia do casamento, só saiu do quarto para o funeral do pai, que naquela tarde morreu dormindo. O infarto foi fulminante. A mocinha leva essa culpa até hoje na sua mente e coração. Está idosa, filhos e muitos netos.

Disso tudo se tira uma lição de moral - A Moral antiga não era brincadeira não: O chapéu do homem sobre a mesa já indicava o respeito que deveria haver naquela casa. Era casa de família!

Meu avô morreu, naquele mesmo dia, deixando minha vó humílima cuidando de 9 filhos. E o genro , cumprindo a promessa, casou-se com minha tia.

Brasília - 14/11/2003

Margaret Pelicano