Eu, duplo de mim

De manhã escureço
à noite clareio,
de manhã, choro
à noite namoro...
sou boêmia por natureza!

Quando amanhece sofro,
Quando anoitece gozo
Quando é dia morro,
Quando é noite acordo...
sou amor com muita presteza!

Eu paradoxo de mim,
eu antítese de novo...
busco a compreensão sem fim
nesse conflito de povo.
Sou criança na esperteza!

Polvo...tentáculos... me aprisionam,
eu luto e me liberto
o sistema é um sonho
gosto mesmo é de sexo.
Sou mulher na beleza.

Por isso me emociono
amo a descoberto,
não me escondo,
desnudo-me no deserto...
Sou pura, mas nudez, líquida e certa!

Sou anjo, alma pregressa,
rude, rubra...em aberto,
busco a compreensão do homem certo,
para aquietar a carne...me aperto...
Sou amor em prosa e verso!

sou virgem, sou mulher,
anjo, demônio
noite e dia,
e o Equinócio da Primavera...
Sou uma menina, nesse pálio aberto!

Sou flor, mar, pélago,
minha busca é incessante...
deixem-me só criança...
Que acabe em poesia...
E nos extertores da irmã morte renasça, e de novo me encante!

BSB - 27/09/2003

Margaret Pelicano