Os Coleccionadores de Deuses

Glauco

Em vão espera há séculos na foz do Tejo
o velho deus que as naus desçam o rio
e tornem ao mar com as velas pandas
de brisa e de esperança de um dia se voltar.
Sonha ainda ver Camões regressar à Ilha
e Fernão Pinto à China de novo rumar.
Se medo não tivesse de subir o Tejo,
veria que Lisboa fervilha como Sodoma
e as caravelas jazem no cais, apodrecidas.