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Os Coleccionadores de Deuses
Fênix
Por ser tão clara a luz da vida, a bela ave
não quer partir, e por lembrar que ao morrer
algo dela poderá salvar-se, busca o suave
encanto das ervas aromáticas e faz a pira
e a entrelaça com ramos que pensa mágicos:
nela se dispõe, fechados os olhos, e o fogo
ateia, e arde sem um lamento. Renascerá,
crê, das cinzas ainda mornas, e com essa
esperança docemente expira. Nunca dará
conta do engano à outra ave que seu lugar
ocupa e já lhe retira o corpo e à terra
lança a ardida beleza que foi alma um dia.
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