Os Coleccionadores de Deuses

Calíope

Chora Calíope no bosque, o rosto
oculto entre as mãos, e ouve as irmãs
que soltam gritos e riem com os sátiros.
Está assim desde que morreu Camões:
de nada valeu salvá-lo e salvar a obra.
Foi-se-lhe o último verdadeiro amante
e ninguém sabe a razão do pranto: se é
mágoa ou desejo, ou a ausência de ambos.
Há oráculos que garantem ser solidão
e que chora por saber que em breve partirá,
com vergonha de sentir-se uma viúva inútil.