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Os Coleccionadores de Deuses
Adónis
Está sentado Adónis e envelhecido
e aguarda que a deusa amante o suba
de novo à tona da primavera - a aragem
agita-lhe as cãs e a ferida que o tornou
mortal não sangra, mas fê-lo lúcido,
e sabe que as neblinas do outono são
o prenúncio do inverno e do silêncio.
Sofrerá? Que mais revela o fechado rosto?
Irá morrer antes que ela o chame?
Não se adivinha. No olhar brilha ainda
a luz que o corpo da deusa lhe deixou.
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