Sem Barreiras

Estou rompendo com um passado!
Nada de sonhos, com vestes vermelho-brancas,
nada de cheiro de incenso,
nada de Sursum Corda,
Quaresma, Procissão do Encontro,
Corpus Christi, Missa do Galo...
Nada de medo do seu Zeferino,
e nem da tampa do seu caixão,
nada de quedas no espaço sem fundo...
Do passado,
não quero carregar o fardo do pranto,
amarrado e soluçante
das tardes de domingo...
Nada de ver mistério
no triste som de um órgão pobre;
nada de enxergar Cristo na hóstia...
Nada de pensar que padre não é homem
nada de achar que padre não tem barba...
Estou rasgando
com minhas próprias unhas
um mosquiteiro denso
que me atrapalhou o progresso.
E para provar que mudei,
arrotarei num jantar de sessenta talheres...