Tristeza

Existe a tristeza que chega
E não bate na porta
Sem uma única ameaça
Entra, pelo corpo, olhos e boca
E a tristeza que pousa
Como um pássaro, anjo ou coisa parecida
E você desesperada grita
Ainda, agarrada na ponte da vida
E a tristeza silenciosa
Com passos de rato na sala
E quando você se da conta
Já roeu a última esperança
E a tristeza tão exata
Que abraça na ausência
E toca legião urbana
E turva a lágrima cristalina
E a tristeza de nascença
Que faz o poeta
Que corrói o poeta
E por fim, termina com a poesia

E se eu fosse alegre
Não seria poeta
Grande coisa eu seria
Em não ser poeta
Gastaria os meus dias
Na vida
Sem pensar se a flor murcha
Ou se o vento caminha nas ruas
Viveria simplesmente
Como gente
E não como um bicho
Se escondendo do mundo
Morando em planetas distantes
E cuidando de rosas ausentes