Sob o véu da viúva negra

A minha alma no aranzel de nossas juras amorosas
Oh! meu amor
Minha matrona
Que sei mais nada
No visgo da tua teia
O jugo que me recolheu
E atendi todas as suas súplicas nos arredores da paixão

És a abelha-raínha reinando sobre a colmeia
E eu sou o teu zangão no vôo nupcial
O teu alimento é sugado do meu ventre
Vasculho teu corpo, teus contornos
Minha vestal que viceja,
Minha cortesã e o coito é meu elixir

Gosto de ter esses seios expostos,
essas coxas adúlteras,
esse pescoço e a minha mordida,
essa respiração ofegante
à espera de que eu invada a tua vulva
no encontro mais desejado de chegar à citera,
inteiramente submissa,
se esgazeando perante o meu carinho obsceno

E eu deslizo o teu tegumento
Matando a minha sede no teu pote

E o teu rosto, o meu ombro
E teu sorriso de carícia
Beijando os meus olhos e amando e gozando
E teu prazer me amarrará,
Me coagirá nossas núpcias e serás meu credo

Deste-me o fruto do prazer e em retribuição dar-te-ei minha vida

In: O Trâmite da Solidão

Luiz Alberto Machado