Uma vez com Raoom na gruta do céu

Visitei teus aposentos
Tua tenda,
Gueixa minha,
Uma fragrância calmante de delírio no ar
Adentrei para ferver a paixão
E te desnudei

Oh! Não se esquive,
Oh! Não se esquive,
vou te conquistar
E me aliviou o teu olhar faminto
A tua sede mulher

E me debrucei no teu corpo
E devorei tua oferenda
Divisei teu território
e acariciei teu rosto
tua expressão imaculada

Invadi teu hangar e escancarei tuas pernas
O teu fruto exposto à comida para pecaminosas mordidas de amor
E fustiguei com afago tuas entranhas
O teu desejo sedento
E lambi teu umbigo
Chupei tua América do Sul
Alcancei teu profundo poço
Minha odalisca tão lasciva

Ericei teu pelo e te montei, égua minha,
E o meu talismã de Sigefredo
O meu poder sobre o teu
A tua beleza
A tua prodigalidade
O meu dardo
Empurrei a espada rija
E no vai-e-vem do remexido dos quadris
Arrepiei tua alma
Sorvi teu néctar, Hero minha
E o meu dna a te fecundar

E suamos juntos
E desfalecemos iguais
E morremos unidos
Qual Filemom e Baucis
Eu feito Abelardo condenado de heresia pelo amor de Heloísa

Tal qual Endimião morto pelo amor a deusa Selene
Feito Dáfne e seus versos à Cloe
O teu nome está na tarja do meu coração
Preso ao sortilégio do amor
Para sempre morar no Monte Latmo, amor
E quando eu morrer
me salvarás, Minha Ísis,
Juntarás meus pedaços de Osíris

Minha alma a ti se revelou
És meu amor

In: O Trâmite da Solidão

Luiz Alberto Machado