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Tua língua
Tua língua toca minha alma
És o poço das galáxias longínquas
E vejo a lua linda, cheia, radiante
No céu da tua boca
Eu já era a Torre Eiffel
E em meu coração mais batia a vida
Eu te entumeço o rosto
Lambuzo teus lábios rubros
Enterro-te minha lâmina
No mormaço de tua língua faminta
Cresço-me
Enrijeço-me, teso
Pau madeira-de-lei
Acossado pela tua carícia
Ah! A tua gula pulsa minha veia
Com os meneios de veludo do teu toque
Todos os truques para me capturar
Eu e meu míssil dominado
Rara e feita me engole
Debruçada sobre o meu cajado
Como se fosse a melhor comida
O pico do Aconcágua em transe
Buscando a ejaculação constante do Etna
Com teu faro que desembainha
Meus grunhidos a levitar
Só assim desfalecido
Me devolves a vitalidade
In: O Trâmite da Solidão
Luiz Alberto Machado
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