Minha voz

Dedicado a Milton Nascimento
Minha voz mescla a coragem de amar
No ultraje dos desencontros
Como luxúria do gesto imerso
No impasse da mudez feroz
Sou navio com rota esquecida
E naufrágios muitos à sucumbir
Quando o nublado olhar pousa em meu rio
É presságio que paira no ventre da paixão
Quando minha voz é torrente de dor
No exagero sombrio de uma canção
Não é nada é tempestade que passou
E deixou danos no peito de vela vencida
Quando minha voz mescla a coragem de amar
Não é a sombra de um vendaval
É a sujeição de um eterno pavio
Que aceso nunca apagará.

Luiz Alberto Machado