Espera

A vida levando sombria esperança
Os dias tão tontos servindo estranheza
Mostrando a utopia de ser existente
O fácil vazio que só me arrefece
Em praça tolhida em ser condução
Esperando Pinheiros no Largo da Paz
Eu não sei agonia se espero amanhã
O fato existe em não ser amanhã
Ser tempo presente imediato
Num átimo sensível de não se expressar
Eu não sei ironia se já anoitece
Se bem que meu peito nem amanhecia
A pedra está por todos os lugares
E a solidão de um banco de praça
A fruto do ermo em sensação
Reveste meu corpo em chuva fininha
Que aglutina aglutina já é temporal
Sequer o ônibus Pinheiros sequer
Apontou no Eldorado
Minha praça vazia meu coração
Todos os outros pegaram seu rumo
Esqueceram a poeira no cansaço marcado
Já não posso molhar meu corpo na chuva
Nele só cabe o mormaço da vida
Esperando Pinheiros no Largo da Paz

Luiz Alberto Machado