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O meu ou o seu O meu ou o seu (1) - Por que você tem tanta certeza de que é um amante? - Podem ser muitos? Quarto de motel. Homem e mulher na cama. Toca um telefone celular. - É o meu ou o seu? - Deve ser o seu. Homem pega o celular da mesa de cabeceira do seu lado e instrui a mulher: - Não pára. Depois: - Alô. Sim. Oi. Ele diz silenciosamente para a companheira: "É a Dóris, minha mulher". Depois continua: - Ahn. Sei. Tá. Diz o número dele, que eu não tenho aqui. Estou almoçando. Silêncio. Depois. - O quei. Vou ligar agora mesmo. Ele desliga o celular, depois digita um número. - Alô? Sr. Godinho? Awui é o iaiaia... Ele tapa o bocal e diz para a mulher: - Pára só um pouquinho. Depois continua, no telefone. - Aqui é o Tubino. Certo. Minha mulher disse que o senhor queria falar comigo... Ah, sei. O quei. Ótimo. Celular? Pegamos a fera. Qual é o número? Pode dizer que eu guardo. Tá... tá... tá... Obrigadão! O homem desliga o telefone. - Que história é essa? - pergunta a mulher. - Esse Godinho é um detetive. Estava fazendo uma investigação pra mim. Desconfiei que a minha mulher tinha um amante. O Godinho descobriu o número do celular dele. Vou dar um susto nesse safado... O homem digita um número no seu celular. Toca o celular da mulher, na mesa de cabeceira ao seu lado. Ela não se mexe. - Você não vai atender seu celular? Ela continua na mesma posição, olhando para o teto. Diz: - Não. Tubino espera um pouco, depois desiste, desliga o celular e o recoloca sobre mesa de cabeceira. O celular da mulher pára de tocar. Os dois ficam deitados lado a lado, olhando para o teto, em silêncio. Há um espelho no teto e, na verdade, os dois ficam se olhando nos olhos. Ela fala primeiro. - Por que você tem tanta certeza de que é um amante? - Podem ser muitos? - Pode ser uma. Tubino não diz nada. Fica pensando: a Dóris, com aquele seu jeito de sonsa, quem diria. Em algum lugar, alguém cantarola o adágio falso do Albinoni. O meu ou o seu (2) Um português e um brasileiro conhecem-se num bar, começam a conversar e no meio da conversa ouvem o som de um telefone celular tocando. Um deles diz: - Não pode ser para mim. Ninguém sabe que estou aqui. - Então deve ser pra mim, porque eu disse onde ia estar - diz o outro, pegando o celular do primeiro porque esqueceu o seu em casa. Em Portugal, essa história é contada exatamente ao contrário. |