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Modo de olhar, jeito de ver
No epicentro de uma rara sociedade, o que o Olho via com ousadia a Intuição concebia com reservas, mas no fim das contas seguiam sócios apesar de tantas diferenças. Sonhador, o Olho não media esforços para buscar seus sonhos e por várias vezes se empenhava em loucas tentativas, mergulhando por ambientes desconhecidos, ora navegando por entre caminhos não muito acessíveis. A Intuição sempre serena, plantada no alto de sua austeridade não concordava com sua trajetória, mas mantinha-se sempre polida sem tecer nenhuma crítica, no entanto permanecia vigilante. Era uma sociedade de moldes perfeitos, onde cada um cumpria o seu papel, e bem mais do que isso, contribuía para que o outro não fosse violentado em seus direitos, respeitando a parcialidade da natureza em cada indivíduo. Discordavam eternamente, explodindo em combates ideológicos de onde ninguém saía derrotado, ficando o lucro da vitória em prol da existência da sociedade. Hoje não temos noticias desta sociedade, alguns pesquisadores afirmam que tais aspectos jamais existiram, especialistas em dissolução social defendem a tese na qual asseguram ser esta estória mais uma lenda. E você o que acha? No apêndice de um velho e empoeirado livro de páginas amareladas, quando encontrado, pode-se ler a seguinte sentença: " cenas de sociedades perfeitas, nossos eternos frutos utópicos, como aquarelas ante os olhos dos enebriados ou como coágulos de felicidade na cabeça dos poetas".
Luís Santana |