Parto em um vôo único

Parto em um vôo único,
Simples, solitário, sem saber pousar.
Sigo feito valsa triste, bailando pra distante,
Querendo ficar.
Paro, pairo no horizonte, desço até a fonte,
Chego a mergulhar...
Morro de saudades, morro, sempre a cada instante,
Querendo voltar.
Parto em um vôo único, simples, solitário, sem saber pousar.
Sou levada pelo vento, uma corrente forte;
Não sei controlar.
Sinto que nem mais respiro, estou em altitude, vou me machucar.
Sim, eu sei que estou voando, este vôo triste, mas não sei voar...
Olho e vejo, nuvem negra, uma tempestade forte a se formar.
Sim, eu sei que estou voando, vôo solitário sem saber voar,
vôo e bailo,feito valsa triste, querendo lá no fundo, ao ninho voltar.
Parto feito retirante, que vai pra distante, sem ter opção.
Vôo o vôo solitário, deixo feito penas, pedaços de mim,mortos pelo chão.

16 de abril de 2005


Luciane Macário