| 'Floco de neve' e 'fofinha'
O meu gato foi trazido,
do quintal, aqui ao lado,
pra minha casa, a pedido,
por tanto o ver desprezado.
A vizinha incomodei,
porque eu estava incomodada;
de tanto ver esse gato,
ao frio, pelagem molhada.
Bochechudo e atrevido,
é o 'mau' da vizinhança;
gato ou gata que ele veja,
começa logo a festança.
Anda tudo pelo ar,
miam que nem desalmados;
unha e dente a trabalhar,
ficam todos arranhados.
Pego logo na mangueira.
Lá vai água! - grito eu.
Salta um pra cada lado,
agarro a cauda do meu.
Voltemos à tal vizinha,
donde o Flo é oriundo;
tem lá agora uma gata
com as cores todas do mundo.
Daquelas atravessadas,
sem se saber 'pedigree';
mas, de peito e patas brancos.
Mui linda, que eu daqui vi.
Vimos eu e o Floquinho,
que se pôs lá em dois saltos.
Ai, Jesus! Começa a guerra!
- grito eu, em brados bem altos.
Qual quê? A gata sorriu!
Achou-o à sua altura.
E ele ficou pasmado
quando viu, do peito, a alvura.
Ela é bela e muito nova,
sabe levar bem a vida.
Já o deixou p'lo beicinho.
A 'Fofinha' é atrevida!
Agora brincam os dois.
Ele vai lá, ela vem.
Visitam-se mutuamente.
Está tudo correndo bem.
2/2001
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