Homem

Meu homem chega cansado.
O suor grudado na pele.
E eu, que o imagino calmo, me deito,
rosto contra o travesseiro —
e aguardo.
Ele deita seu peso sobre meu corpo,
e seu cheiro é forte,
como o de um cavalo.
Sinto seu hálito no meu pescoço,
suas pernas forçando passagem
entre minhas pernas.
O amor não tem rosto, penso.
É essa pressão - pele contra pele
- esse atrito de pêlos.
Quero dormir e sonhar que nos amamos.
E antes de me possuir, ele me despe, delicado.
Quero dormir e sonhar que ele chega.
Só em sonho, posso tê-lo sem fúria.