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Peças O destino nos prega peças.Algumas vezes desejadas. E muitas vezes nos surpreende com o indesejável. Havia pensado estar conquistando a confiança de um pássaro silvestre. Pensei estar. Apenas pensei. Quando o pássaro silvestre aconchegou-se em minha mão. Eu acariciei-o...num piscar de olhos. Aquele pássaro se metamorfoseou-se. Uma cobra peçonhenta. Que me olhava ferozmente. Como se algo eu à tivesse feito. Seus olhos vermelho fogo. Sua língua...aquele movimento constante. Parecia estar saboreando minha alma como se a tivesse na boca. Parecia estar segurando em minhas mãos todo o ódio, descaso do mundo! Fraca e assustada. Larguei-a no chão, bruscamente. Ela nada fez enquanto eu criei forças e corri. Apenas me observava, correndo. E vagarosamente me seguia, e não deixava de me olhar com aqueles olhos. Vermelho fogo, porem, frios e rígidos. Eu corria. Ela de longe, vagarosamente seguia-me. Tal força que me veio de não sei onde nem como, se acabava. Ela já sabia que isso aconteceria. Assim como eu já também previa. Quanto mais o tempo passava mais ela se aproximava. Na mesma velocidade principiada. Sinal claro do meu desgasto. Tropeço na emoção, caiu. Não mais me levanto. Vejo de longe duas pequenas chamas à rastejar... Aproxima-se cada vez mais, daquele ser inútil...caído...aflito. Enfim... Aqui estou olho à olho novamente com ela. Eu inerte, não posso, não consigo fazer nada à não ser observar. Observar, ela direcionando aquela boca em meu coração. Ah!!! Dói muito quando lhe é arrancado o que lhe resta ou que está reconstruindo-se. Aqui me vejo...sem reflexo do que fui ...que estava retornando a ser!!! 15/11/2005 Kamilla Valença Crisostimo |