Frases - O mestre Saramago

"Em vez de as pessoas ouvirem os escritores em busca de respostas sobre o que somos, precisam ouvir umas às outras, porque nós, autores, não somos mais do que meros trabalhadores das palavras e temos limites como todos"

"Até os meus 20 e tantos anos, eu voltava a Azinhaga pelo menos uma vez ao ano. Em Azinhaga estão guardadas minhas impressões fundamentais. Quando eu chegava à aldeia, a primeira coisa que fazia era tirar os sapatos. E a última coisa que fazia, antes de regressar a Lisboa, era calçá-los. Os sapatos, e a ausência deles, se tornaram um símbolo muito forte.”

"Não fui desses gênios que, aos 4 anos de idade, escrevem histórias. Apenas via as coisas do mundo e gostava de vê-las., Nunca fui de grandes imaginações. Eu não me interessava por fantasias, mas pelo que ocorria. A imaginação, o que dizer a respeito dela? Meus livros estão aí para provar que a tenho. Mas é uma imaginação que está sempre a serviço da razão. Meus livros se caracterizam por uma imaginação forte, mas sempre usada de forma racional. Posso formular assim: a imaginação é o ponto de partida, mas o caminho a partir daí pertence à razão."

"O fenômeno religioso sempre me interessou muito. Sei que isso parece estranha em um homem que nunca teve nenhuma inquietação religiosa. Nunca vivi o dilema entre ser crente e não ser crente. Mas, como fenômeno histórico, a religião não poderia deixar de me interessar. Não sou crente, mas é igualmente verdade que tenho – todos, formados no cristianismo, temos – uma mentalidade cristã e não islâmica ou budista ou hinduísta. Às vezes me dizem: ‘Você não é crente, não tem o direito de falar sobre temas religiosos.’ Tenho sim e duas vezes: primeiro proque tenho o direito de escrever sobre o que bem entender; segundo, porque tenho o direito de pensar a respeito de algo que fez de mim a pessoa que sou."

"Acho que não tenho medos, tenho apenas repugnâncias. Aversão, por exemplo, a certos bichos. Tenho repulsa a aranhas. No entanto, me lembro que, quando era menino, eu carregava as aranhas na mão, brincava com elas."

"Ainda muito moço eu gostava de repetir uma idéia que não é muito normal que os adolescentes tenham: a de que aquilo que tiver de ser meu, às minhas mãos há de chegar. Nada muito fatalista, nenhuma sensação de impotência como seu eu achasse que não valia a pena lutar por nada. Não se tratava disso. Mas até isso é certo: nunca lutei para me tornar escritor."