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Biografia - O mestre Saramago José de Sousa Saramago só começou a obter notoriedade em 1982, com 60 anos. É autor principalmente de romances, mas também tem obras de poesia, ensaios e peças de teatro. O escritor português José Saramago é considerado o mais importante escritor vivo da língua portuguesa. Filho de camponeses, Saramago nasceu em 1922, em Azinhaga, na província de Ribatejo. Trabalhou como serralheiro mecânico, desenhista, funcionário público e jornalista. Durante toda a vida defendeu as cores do Partido Comunista Português. Começou na literatura em 1947 com o romance Terra do Pecado. Logo suas obras atingiram grandes tiragens em Portugal e foram traduzidas para vários idiomas. Hoje, Saramago mora em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, mas mantém um apartamento em Lisboa, sua musa inspiradora. Alto, magro, discreto, Saramago pode ser visto passeando pelas ruelas de Lisboa, sempre a pé. Dá uma parada para almoçar num dos bairros mais antigos de Lisboa, na tasquinha - espécie de boteco - que virou restaurante, do amigo Antonio Oliveira, a Varina da Madragoa. Almoça bacalhau com grão-de-bico regado a vinho da casa, entre paredes com fotos que registram seu noivado e casamento com a terceira mulher, a jornalista espanhola Pilar, realizado ali, na tasquinha mesmo. Janta no Farta Brutos, no Bairro Alto, e leva para lá todos os amigos, como Sebastião Salgado e Chico Buarque. Pode interromper a galinha à cabidela a qualquer momento para falar com qualquer pessoa que queria conversar sobre qualquer coisa - por exemplo, o significado do nome Saramago. "Uma florzinha silvestre que nasce nos escombros", explica. "Meu pai me evitou o trabalho de procurar pseudônimos." O apartamento na Rua dos Ferreiros, bairro da Estrela, é decorado com objetos toscos e simples, figurinhas de barro do Ribatejo onde nasceu, do Alentejo, do Estremoz, de Moçambique. O ponto de correspondência de Saramago continua sendo a mercearia Mascote, na mesma rua onde tem seu apartamento, dois números acima. Lá, ele faz as compras e alimenta a amizade com os donos, a trasmontana Irene e Manoel, de Valencia do Minho. Saramago achou que Lisboa ficou grande demais depois que Portugal, de pouco mais de 10 milhões de habitantes, entrou para a União Européia. "Minha Lisboa já não existe." Então, mudou-se para a ilha de Lanzarote, construiu uma casa simples, como ele mesmo diz, sem excessos nem luxo. Chama-se A Casa, de acordo com o que se lê à porta. O apartamento de Lisboa é alugado. A obra José de Sousa Saramago só começou a obter notoriedade em 1982, quando tinha 60 anos, com a publicação de Memorial do Convento. É autor principalmente de romances, mas também tem obras de poesia, ensaios e peças de teatro. Em poesia, publicou Os Poemas Possíveis (1966), Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). Os romances são Manual de Pintura e Caligrafia (1977), Objecto Quase (1978), Levantado do Chão (1980), Memorial do Convento (1982), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a Cegueira (1995) e Todos os Nomes (1997). Os livros de ensaios de Saramago são Deste Mundo e do Outro (1985), A Bagagem do Viajante (1973), As Opiniões que o DL Teve (1974), Os Apontamentos (1976), Viagem a Portugal (1981). Em teatro, publicou A Noite (1979), Que Farei com Este Livro? (1980), A Segunda Vida de Francisco de Assis (1987) e In Nomine Dei (1993). Em 1997, publicou o diário Cadernos de Lanzarote, em cinco volumes. Uma de suas obras mais conhecidas, O Ano da Morte de Ricardo Reis, transcorre em Lisboa em 1936, em plena ditadura, numa "atmosfera de irrealidade habilmente evocada". Entre os personagens, está o poeta Fernando Pessoa. Em A Jangada de Pedra, Saramago imagina que a Península Ibérica se separa do continente europeu e parte à deriva pelo Oceano Atlântico. A consagração de Saramago veio com a conquista do Prêmio Nobel de Literatura de 1998. Quando lhe perguntaram o que faria com o dinheiro do prêmio - cerca de R$ 1 milhão -, Saramago retrucou: "Ainda não sei, você tem alguma sugestão? Vou aceitando", brincou. "As pessoas estão habituadas a escritores pobres, mas não perguntam a um jogador de futebol o que ele fará com mais 1 milhão", afirmou. "Como não jogo, não vou gastá-lo no cassino; como não tenho ambições, não vou comprar dez piscinas ou quatro carros; antes, vou gastar da maneira que puder e ajudar as pessoas mais próximas de mim", disse. |