Estrela da tarde

O que de todos esperara, há quanto
Que todos, um por um, mo sonegaram!
Meus lábios sem razão os verberaram,
Saiba-me a boca, embora, a amargo e a espanto.

Pois que lhes dava eu, pedindo tanto?
A mim próprio, que dei? Sons que esvoaçaram...
A vida não perdoa aos que a frustraram!
E a vida me atirou para o meu canto.

á, como quem, para morrer, se estira
No limiar da casa abandonada,
E olhando os céus, inda sorri, respira,

A Ti levanto os olhos do meu nada...
Recebe Tu (ou também és mentira?)
Minh'alma de nós todos recusada!

José Régio