Ausência

A inaceitável ausência
que fere.
O não achar cruel.
O ao lado vazio.
O não contar, o constante não ter.
A falta existente, malvadamente resistente.
A presentificada e palpável não-presença.
A concretude do não ver e do não tocar.
A corporificação da ausência
no monólogo involuntário
respondido por silêncios.
A falta que faz...
Que nos faz a falta?
Quanto falta? Quanto falta?
Morremos, ambos, na indesejável ausência.
Cava-se em nós
com violência, com brutalidade,
o lugar vazio
- túmulo da solidão.