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Meu berço
É bom
Sentir a liberdade
do espaço conhecido,
a liberdade do berço,
onde reconheço o cheiro dos lençóis.
Repousar a cabeça cansada
no travesseiro cuja fronha
conserva o perfume dos cabelos.
Meus cabelos lavados.
Atravesso tuas ruas com leveza
Percorro a madrugada, amiga íntima.
Esta sopra minha face com a brisa fresca,
guardada até então
apenas na memória.
Retorno e busco pelas calçadas
os dias idos.
Olho no espelho de tuas paredes,
e lá me vejo e revejo.
Na praça da velha igreja de bairro.
Encontro o frescor de tantas primaveras
Refletindo hoje meu sorriso colorido
de antigamente.
Procuro eternizar esse momento fugaz
Antes que retorne eu à selva de pedras
lavadas com lágrimas, suor e sangue.
Mas posso ficar mais um pouco.
E desfrutar de meu berço sagrado
Quase imaculado
Aqui onde não permito a entrada de intrusos.
Onde sou eu puramente eu.
Onde me reconheço em meus passos,
Onde posso acenar para as árvores,
Aqui, onde partilho da ceia das estrelas
No firmamento da madrugada
De quem recebo o abraço
Da noite inocente
Que me espera sempre
Quando quero voltar.
Izabel Martho
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