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De Versos de um simples (1891)
XL
Prisioneiro
Que era um pássaro apenas, me disseste,
Porém o nome dele tu ignoras,
Ouviste e ainda ouves vibrações sonoras,
Mas o doce cantor não conheceste.
Pensas em mim, e do tenor celeste
Escutas enlevada as sedutoras
Canções saudosas e comovedoras...
Que ave, perguntas, misteriosa é esta?
Que encantada harmonia, que doçura,
Que magoado cantar!... A todo o instante
Ouves esta garganta ardente e obscura.
Nunca a verás; não queiras vê-la, não!
Deixa que o meu amor oculto cante
N'áurea gaiola do teu coração.
Guimarães Passos
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