2º soneto à morte de Afonso Barbosa da França

Alma gentil, esprito generoso,
Que do corpo as prisões desamparaste,
E qual cândida flor em flor cortaste
De teus anos o pâmpano viçoso.

Hoje, que o sólio habitas luminoso,
Hoje, que ao trono eterno te exaltaste,
Lembra?te daquele amigo a quem deixaste
Triste, absorto, confuso, e saudoso.

Tanto tua virtude ao céu subiste,
Que teve o céu cobiça de gozar-te,
Que teve a morte inveja de vencer-te.

Venceste o foro humano em que caíste,
Goza-te o céu não só por premiar-te,
Senão por dar?me a mágoa de perder-te.