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Censurado
Sabendo que a censura não me trava,
pediram-me um soneto sem calão
pra pôr na antologia de salão
que o tal do [censurado] organizava.
Queriam até tônica na oitava,
mas nada de recurso ao palavrão.
Usei o ingrediente mais à mão,
porém sem [censurado] não passava.
Desisto. Quanto mais remendos meto,
mais roto vai ficando o [censurado].
Poema não é texto de panfleto
pra ter que se estampar todo truncado!
Pois esta [censurado] de soneto
que vá pra [censurado] [censurado]!
1999
Glauco Mattoso
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