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Do réu confesso
"Morreu a poesia? Não fui eu!"
- gozou Zé Paulo Paes. Agora alguém
sustenta que a matou e que fez bem:
"Matei não só a Marília: até o Dirceu!"
Pergunto: quem dirá que um verso meu
despacha uma mosquinha para o Além?
No máximo um político o desdém,
abaixo do cocô, me mereceu!
Eu próprio quis matar a poesia
mais de uma vez, tocando fogo nela
ou "abolindo o verso" e a pondo fria.
Não deu: a desgraçada se rebela,
renasce, ressuscita, desafia,
e bobo faz de quem lhe acende vela.
20/8/2003
Glauco Mattoso
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