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Do oportunismo
Ao ver vaiada a ópera que assina,
um diretor polêmico reage
baixando a calça e expondo o que o Bocage
cantou em frente e verso, à fescenina.
A mídia puritana o recrimina.
Embora a esquerda a seu favor se engaje,
aquele que não acha mero ultraje
no gesto a criancice lhe imagina.
Quem mérito não tem, atenção chama
mostrando em cena aquilo que nós todos
tapamos e que brilha só na cama.
Mas arte, enfim, não passa dos engodos
que um vivo marqueteiro pela lama
arrasta e lucra um "ismo" de tais lodos...
20/8/2003
Glauco Mattoso
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