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Da fatalidade
O cara, desde cedo, trampa duro,
aos poucos vai subindo numa empresa
que um dia será sua, em cuja mesa
se lia que morreu velho o seguro.
Na casa tem cachorros e alto muro,
e ali se sente em plena fortaleza.
Pegaram-no os bandidos de surpresa
no dia em que saiu buscando ar puro.
Quem manda confiar demais na sorte?
Plantão de anjo da guarda também falha
e nada resta aos filhos que os conforte.
Exceto a herança: "Soma que lhe valha
a vida não tem conta!", firme e forte,
explica à mídia a filha mais pirralha.
19/8/2003
Glauco Mattoso
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