Da frase imortal

Recém-inaugurado, o monumento
ao grande escritor morto já sofreu
na estréia o vandalismo: teve seu
chapéu roubado e a calva está ao relento.

Os lábios, no metal frio e cinzento,
pintaram-se de rubro; a barba ardeu;
rasgado o externo terno de museu,
até na bunda fica exposto ao vento.

De que lhe adiantou ter sido eleito
maior poeta vivo? Ninguém lê
seus versos sem falar mal do sujeito!

Procuram-lhe os inéditos. Cadê?
O cara só ditou, triste, no leito
de morte este refrão: "Vai si fudê!"

19/8/2003

Glauco Mattoso