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O aspecto da morte O policial foi à casa do suicida. Ele havia cortado os pulsos. Uma morte agonizante. Entrou no minúsculo quarto, que fedia como carne podre. O cheiro insuportável tonteava o policial. O chão estava todo ensanguentado. Também as paredes. Livros, revistas, CDs, um abajur, roupas e mais espalhavam-se pelo chão. O suicida entrara em desespero durante a morte agarrando e derrubando tudo. O cadáver estava branco. Branco e com uma cara de agonia intensa. "A mais intensa das agonias que se pode experimentar", pensou o policial. Seu corpo todo estava manchado de sangue e a sua roupa, rasgada. No desespero, arrancou os cabelos. Moscas e baratas rondavam-no. Seu cérebro já saía líquido pelo nariz e pelas orelhas. Seu corpo já liberava todas as fezes e urina acumuladas em seu interior. A esposa do morto, louca de sofrimento, gritava e chorava. Dizia que ia se matar também. O policial se aproximou do cadáver para examiná-lo. De repente, o rosto do morto virou para o seu, olhou-o com aqueles olhos esbugalhados e estáticos e disse: - Assim é a morte, vivo. O policial piscou os olhos e quando os abriu o morto continuava tão mortamente morto quanto antes. Chegou o IML e levou o corpo embora.
Gabriel Mallet Maissner |