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Três pãezinhos Júlia saiu para comprar pão na padaria. Chegando lá, pediu: - Três pãezinhos, por favor. - O que te faz pensar que eu te venderia três pãezinhos? Estupefata, Julia respondeu: - Hã?! Como assim?! Calma e pretensiosamente, ele perguntou: - Ora, por que eu te venderia três pãezinhos? - É a sua função! - Quem disse? - Eu não vou ficar aqui discutindo com você! Me dá três pãezinhos logo! - Eu não dou nada, eu vendo. - Então me vende, porra! - Primeiro: olhe o palavreado. Segundo: não vou te vender três pãezinhos. Quatro, talvez. Ou dois. Mas não três. - Eu não quero nem quatro, nem dois pãezinhos! Eu quero três! - Não vou vender. - Chama o teu chefe! - Tsc!... não vai adiantar nada. - CHAMA O TEU CHEFE!!! - A senhora não precisa ser mal-educada! Mais respeito, por favor! - CHAMA A PORRA DO TEU CHEFE!!! - Tá bom, tá bom... O, Zé! Chama o chefe! Logo, o chefe entra: - Quié?! - Você é o chefe desta padaria? - Sou. - Ele se nega a me vender três pãezinhos! - E o que te faz pensar que ele te venderia três pãezinhos? - Como?! - Eu fui bem claro. O que te faz pensar que ele te venderia três pãezinhos? Exasperada, Julia fala: - Eu não acredito no que estou ouvindo... - Eu falei pra ela, chefe. Posso vender quatro ou dois pãezinhos. Ou qualquer outra quantidade, menos três... nove também não. - Faz muito bem. Merece até um aumento. - Eu quero os meus pães! O chefe retruca: - Quem foi que lhe disse que estes pães são teus?! Júlia não responde nada. - Heim? Quem foi? Ela permanece calada. - Responda! Manda o chefe. Silêncio. - Responda! Imita o padeiro. Nada. - RESPONDA! Falam os dois. - Eu não quero responder! Eu só quero três pãezinhos! E levantando as mãos para cima ela pergunta: - Deus, o que foi que eu fiz? - Não meta Deus na história, diz o padeiro. - Herege! Setencia o chefe. - Mas eu só... - Herege! Repetem os dois. - Eu... - Herege! Repetem mais uma vez. - É que... - Herege! - Por favor... - Olha, eu já estou cansado de te chamar de herege. Quer calar a boca, por favor? Diz o chefe. Júlia olha para o chão, desconsolada e com lágrimas nos olhos. Está à beira de um ataque de nervos. Neste estado, sai para a rua, senta na calçada e começa a olhar o vazio, extremamente cansada. Depois de alguns instantes, um senhor sai da padaria com um saco de pão nas mãos. Ela pergunta: - Quantos pães o senhor comprou? - Três. Júlia começa a chorar desesperadamente.
Gabriel Mallet Maissner |