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Um poema inédito de Fernando
Pessoa De leste a oeste comandámos, Hoje a derrota é a nossa vida Dois povos vêm da mesma raça Mas hoje... clama no ermo insulso Este poema inédito de Fernando Pessoa, manuscrito e datado, de que atualizei a ortografia, merece alguns comentários. Em primeiro lugar são de referir duas variantes nos dois primeiros versos da segunda estrofe: três em vez de dois povos e de dois filhos. O terceiro filho seria a Catalunha, que figura depois de Portugal (quarto verso), por acrescento posterior. A Mãe Ibéria teria assim, na segunda versão que os acrescentos deixam entrever, três filhos: Portugal, a Hispanha assim chamada e a Catalunha: duas filhas e um filho macho... Outro reparo tem que ver com a índole deste poema do autor de Mensagem que é, de facto, animado pelo mesmo espírito épico-messiânico que inspirou os poemas desse livro, compostos por Pessoa ao longo da sua vida. Aqui, como nos versos de Mensagem, a mesma nostalgia de uma grandeza perdida (De leste a oeste comandámos), a mesma denúncia de um sono brando, entorpecendo a Ibéria, e a mesma tentativa para a acordar do seu sono de Bela Adormecida para o futuro à sua espera. Repare-se que a primeira estrofe termina com o apelo: Para quando é a nova lida / O mãe Ibéria, para quando?, retomado simetricamente no final da segunda estrofe com nova lida substituída por novo impulso. É curioso constatar que o tal Quinto Império, com cujo sonho Pessoa se entreteve ao longo da vida, que seria do domínio do ser e não do ter - o da cultura e não o do poder, como no passado - abrangeria também a mãe Ibéria, como este poema deixa entender. Essa a sua originalidade, abrindo perspectivas novas à compreensão do messianismo de Pessoa. Teresa Rita LopesIn, |