Tradução

Ao Editor Punch

Exm.º Senhor,

Submeto o poema incluso à sua apreciação. Nele tentei atingir o ridículo pela união do sério e do grotesco. Esforcei-me, além disso, por ligar o ridículo da expressão assim produzida ao sublime movimento do verso elegíaco. O senhor julgará até que ponto o que consegui.

Estou consciente de que o meu manuscrito deveria ter sido escrito à máquina, mas os meios de que disponho não o permitem. Sei também que não tenho experiência literária( nada mais se pode esperar de um rapaz de dezesseis anos); e, por essa mesma razão, ao escrever o meu manuscrito devo ter transgredido grosseiramente as convenções: tudo isto espero que me seja desculpado.

Assinei o meu manuscrito com um pseudônimo; mas quando um estrangeiro escreve qualquer coisa - especialmente um poema - é melhor não lhe atribuir directamente uma autoria.

Se o meu poema for recusado, receio bem que o Senhor tenha de o deitar no cesto dos papéis, porquanto os selos ingleses são aqui impossíveis de obter. Na esperança de sucesso, contudo, envio-lhe juntamente aquilo que posso - um envelope com o meu endereço.

Aguardando a sua decisão,

Sou,
Exmo Senhor,
Muito atento e venerador
F. N. Pessôa.

Notas explicativas carta nº 2
H. D. Jennings refere uma carta de Fernando Pessoa ao diretor do Punch, incluindo o poema humorístico " An elegy on the marriage of my dear friend Mr. Jinks", datado de 16 de abril de 1905 (op. cit. , p.94) Repare-se na inexatidão da idade com que Pessoa se apresenta: dezesseis anos, quando, na realidade tinha, nesta altura, quase dezoito. Fernando Pessoa - Correspondência 1905-1922 Editora Companhia das Letras.
Carta nº 2