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Carta de Amor 19/02/1920 Ophelinha: Para me mostrar o seu desprezo, ou pelo menos, a sua indifferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da serie de "razões" tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-m'o. Assim, entendo da mesma maneira, mas dõe-me mais. Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quizer: não tem obrigação - creio eu - de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama. Quem ama verdadeiramente não escreve cartas
que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto
as cousas, nem trata os outros como réus que é preciso
"entalar". Reconheço que tudo isto é comico, e que
a parte mais comica d'isto tudo sou eu. Ahi fica o "documento escripto" que me pede. Reconhece a minha assignatura o tabellião Eugenio Silva. Fernando |