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Aleister Crowley e Fernando Pessoa (1875-1947) Crowley era um ocultista famoso. Pessoa, lendo numa publicação inglesa o seu horóscopo com alguns erros, escreveu-lhe a corrigir, já que era um profundo conhecedor e praticante de astrologia. Efetivamente Crowley ficou admirado com os conhecimentos
de Pessoa, e sempre pronto a viajar resolveu vir até Portugal,
para conhecer o poeta. O encontro não foi assim tão
idílico como seria de prever, já que Pessoa deve ter-se
apercebido rapidamente dos desequilíbrios psíquicos
e espirituais graves que Crowley tinha e ensinava. De qualquer forma
prestou-se a colaborar na encenação do suicídio
de Crowley na Boca do Inferno, o que permitia a este escapar incógnito
não só das suas amantes como até do conhecimento
do público. De fato ele tinha sido um agente duplo dos ingleses
e dos alemães, e era uma figura cujo paradeiro e atividades,
por vezes as mais perigosas, interessava saber-se. Aleister Crowley foi um mago da linha cinzenta ou negra, em que o egoísmo predomina sobre o altruísmo e os fins justificam os meios. É sabido como ele utilizou a droga, o sexo e a violência nos seus rituais e na sua vida. Forçosamente que certas pessoas são atraídas por um lado ou outro destes aspectos. Porém, Pessoa nesta idade, já extremamente lúcido e conhecedor dos perigos do ocultismo, não quis naturalmente ligar-se nem com o mago nem com a maga, e seguiu sozinho uma via cada vez mais mística num sentido de adesão aos princípios puros dos Rosa-Cruzes e dos Templários. Era, como ele dizia, um cristão gnóstico e iniciado na Ordem Templária de Portugal. Crowley viveu algum tempo na Alemanha e morreu em Hastings, Inglaterra. (Adaptado do livro "Fernando Pessoa na Intimidade", de Isabel Murteira França. Publicações Dom Quixote, Lisboa 1987.) - Texto enviado por e-mail, colaborou Henrique Lugares |