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A raiva de Nise
Ao que eu te digo de carinho e enleio
Respondes irritada e desdenhosa?!
Enfim, o espinho é natural na rosa
E ama a serpe esconder-se em morno seio.
No meio de um mirtal em flor, no meio
De uma seara próvida e viçosa,
Às vezes surge planta venenosa
E sapos coaxam no mais claro veio.
Vênus, a doce e branda, contam poetas,
De onde em onde também se encoleriza;
Nas flores mesmo há cóleras secretas.
Raiva, pois, meu amor pisa e repisa,
Não me arreceio do furor que afetas:
Que é o vendaval? a cólera da brisa.
(Cantos e cantigas, 1915.)
Filinto de Almeida
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