À beira d´água

Ao Fernando dos Santos

Em seu arrábido e austero mosteiro,
Esquecia o poeta as mundanais faenas

E a vileza do Homem, ser matreiro,
Compondo com tristezas seus poemas.
De ar e versos nutria o corpo esguio,
Cantando às aves, ao Sol, aos pinheirais,
E aos amores que houvera, em outro estio,
À hora de acordar, aos hinos matinais...
À tarde, inconsolável, carpia sua mágoa,
Sentado sobre a escarpa sobranceira ao mar,
As lágrimas de sal correndo à beira d´água.
Percorria com os dedos rosários de cristal,
Meditando em seus versos o modo de rimar
E confiando à noite a cura do seu mal.

Fernando Costa Quintais